Flanelinhas: De quem é a culpa?

Posted on 28/05/2010 by Luciano Lessa 3 Comments

Olá, pessoal!

O dia de hoje para mim está curtíssimo, nem poderia estar escrevendo, mas me sinto convidado frente a uma situação que me ocorreu na noite de ontem.

Ao chegar no carro para ir embora, após participar de um evento promovido por uma empresa multinacional, ouvi aquela (cada vez mais) tradicional frase ouvida em nossas cidades: “Tá bem cuidado, amigo!”. Era (mais uma vez) um “flanelinha” querendo ganhar algum dinheiro prestando um serviço que eu não havia solicitado – aliás, ninguém solicita. Mas, como eu não consigo ver coisas erradas continuarem a acontecer como se fosse normal, parei um pouco para conversar com os dois rapazes – Everton e Vitor.

Compartilhei com eles algumas experiências, e foi uma surpresa para ambos os lados. Tanto eles puderam ver que eu não sou “rico” como posso às vezes parecer, quanto eu pude ver que eles não estão nesse “negócio” necessariamente por vontade, mas por não conseguir passar por cima de algumas limitações, impostas pela falta da devida educação.

Ok, sabemos que o ensino público (tanto municipal, quanto estadual) é deficiente, e isto deve ter contribuído para que eles e tantos outros estejam nas ruas “à espera da ajuda de Deus”, que é o termo que eles utilizaram por vári as vezes durante a conversa.

Mas daí pergunto: A educação das pessoas é dever somente do governo? Não, absolutamente não. Nem que tenhamos plenas condições para pagar escola particular para nossos filhos (que ainda não tenho), a escola só poderá educar uma parte. A outra é compromisso dos pais. Se o governo f alha com a parte dele, isso não nos dá o direito de falhar com a nossa parte! Se os pais destes rapazes tivessem feito a sua parte corretamente, é bem provável que estariam com algum emprego ou negócio mais digno – e não estariam no frio à espera da boa vontade dos donos dos carros em dar-lhes alguns trocados.

Aliás, falando em negócio, um deles (o Everton) disse já ter sido representante da mesma multinacional deste evento… De início, tenho de confessar que até achei que ele estivesse mentindo, mas ao ouví-lo comentar sobre detalhes importantes e específicos, vi que o rapaz tinha mesmo feito parte, e diga-se de passagem, que poderia estar muito bem financeiramente, se tivesse continuado a acreditar mais em si mesmo e não dar ouvidos para aquelas pessoas invejosas, que quando não estão bem, tentam puxar todo mundo pro “buraco” junto delas.

E esta questão do acreditar mais em si é uma das partes que deixar que somente a escola eduque não resolve. Tem que haver a ação correta dos pais, em incentivar os filhos a fazerem mais por si mesmos, e elogiá-los e comemorar junto deles cada etapa vencida, cada sonho realizado – mesmo que pequeno!

Antes de finalizar a conversa com os dois rapazes, compartilhei com eles alguns momentos em que realizei pequenos sonhos, e o quanto foi importante para mim me esforçar, persistir, planejar, acreditar mais em minhas capacidades.

Eles não são meus filhos, mas fiz o que eu poderia e deveria ter feito no momento. E você, o que faz quando ouve a frase “Tá bem cuidado, amigo!”?

Abraços!


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